Base Salarial na Área de TI
Pesquisei consultorias de RH para traçar um painel da remuneração praticada pelo mercado, em diversas ramificações da área de tecnologia. Confira aqui o resultado e saiba quanto você pode valer
Como saber se a sua remuneração corresponde à média do cargo? É verdade que em São Paulo os salários são maiores? Certificações fazem o profissional ser mais caro? Quais tecnologias são mais valorizadas pelo mercado?
Para responder a essas perguntas, o TI Master buscou consultorias de RH de várias regiões do país. Contudo, houve dificuldades para obter informações de empresas fora do eixo Sul-Sudeste. Empecilhos à parte, cinco consultorias aceitaram fornecer os dados: Case Consulting, ConquestOne, Manpower e People Consulting, todas de São Paulo e a Tcom Consultoria, de Porto Alegre.
Criação
Englobando os cargos de WebMaster, WebDesigner e Animador em Computação Gráfica, esta é uma área diferente dentro da TI. Nela, mais valem a criatividade e os trabalhos realizados do que experiência e certificações. Segundo o Diretor-executivo da ConquestOne, Antonio Loureiro, há dificuldade para encontrar profissionais com habilidade no relacionamento interpessoal.
“Essa área precisa de pessoas com capacidade de comunicação. Para entender o cliente e traduzir sua necessidade em termos de criação, a capacidade de ouvir e de se expressar tem que ser refinada - explica.
Por essas particularidades, a remuneração varia muito, estando diretamente relacionada ao portfólio do profissional. Assim, para o cargo de WebDesigner, foram encontrados valores de cerca de R$ 4 mil na região Sudeste e por volta de R$ 1.800 no Sul. Já o salário de WebMaster fica em torno de R$ 4 mil no Sudeste e de R$ 4.500 no Sul. E o cargo de Animador em Computação Gráfica só estava presente nos dados de uma das consultorias do Sudeste, ganhando em média R$ 4 mil.
Rede/Infra-Estrutura
Técnico por excelência, para este setor a certificação é fundamental, chegando a aumentar o salário do profissional em até 40%. Os cargos de Técnico em Informática, Analista de Suporte e Administrador de Redes ainda têm outro desafio: escolher entre seguir o caminho Windows, Linux ou Cisco.
O salário de Técnico em Informática varia de R$ 1 mil para cargos de nível médio até R$ 2.500, para técnicos com nível superior. Já a remuneração de Analistas de Suporte apresentou enorme discrepância, indo de R$ 2.6 mil na região Sul até R$ 6.500, no Sudeste. Nesses dados, uma constatação: o cargo de Analista de Suporte para Mainframe está bem cotado, com salário de R$ 2.900 no Sudeste e R$ 5.800 no Sul.
Entre as certificações, o salário para um profissional MCSE varia de R$ 4.275 no Sul até R$ 6 mil no Sudeste. O nível inicial, MCP, ganha R$ 3.500 no Sul e em torno de 4 mil no Sudeste. Já as certificações Cisco apresentam remuneração da ordem de R$ 3.900 para CCNA no Sul e confirmam a fama de mais valorizadas pelo mercado, indo até R$ 8 mil para CCIE no Sudeste.
Uma área difícil de avaliar foi a de Linux. Por ser um sistema operacional em ascensão no ambiente corporativo, o mercado de trabalho ainda está se adaptando. Foram fornecidos apenas dados de Analista de Suporte Linux com salário de R$ 2.500 no Sul e de profissional certificado LPI, por R$ 6 mil no Sudeste. Há ainda o cargo de Analista de Suporte Unix, com salário de R$ 3.100 no Sudeste e R$ 4 mil no Sul.
Desenvolvimento
Computadores precisam de programas para funcionar. Logo, sempre há lugar para quem desenvolve sistemas e projeta aplicações. Difícil foi encontrar as funções de Programador e Analista de Sistemas isoladas. Cada vez mais se pede que o profissional reúna o conhecimento técnico da programação com a visão de negócios e de projetos da análise.
Também não foi possível encontrar os cargos sem estarem associados a alguma tecnologia: as empresas hoje já exigem o profissional direcionado para uma linguagem. E as mais requisitadas - confirmando a matéria Poliglota Digital publicada no TI Master - são mesmo Java e .NET. Por outro lado, a área de mainframes, de acordo com o Diretor da People Consulting, Shuji Shimada, apresenta demanda por profissionais que saibam Cobol porque o mundo acadêmico ainda não enxergou essa necessidade.
“As escolas pararam de ensinar mainframe. Por isso, há e poucos profissionais no mercado e oportunidades para todos os ambientes, até para AS/400 – afirma.
Assim, o salário de um Analista/Programador .NET ou Java varia entre R$ 4.700 no Sul a R$ 6.500 no Sudeste. Este resultado faz cair por terra a idéia de que o profissional Java é mais caro que o .NET. Na área de mainframe, um Analista-Programador Cobol ganha cerca de R$ 4.300 no Sul e entre R$ 4.500 e R$ 5.500 no Sudeste.
Desenvolvimento Web
Este setor é o queridinho do mercado, tanto pelo potencial de crescimento da Internet num país em que menos de 10% da população acessa a rede, quanto pela demanda de empresas de outros países que fazem outsourcing por aqui. Por isso, quem sabe se virar na sopa de letrinhas do ASP e PHP, além das já citadas .NET e Java – que também servem para aplicações Web – está com a empregabilidade em dia.
Os salários para Analista-Programador ASP vão de R$ 3 mil até 4.500. Já o profissional PHP ganha de R$ 2 mil a R$ 4.500. Ambos os valores são do Sudeste, pois no Sul os dados recebidos dizem respeito ao cargo de Analista-Programador Web, sem diferença para ASP, .NET ou PHP, com valor de R$ 4.700.
Banco de Dados
O Administrador de Banco de Dados, cujo cargo é conhecido pela sigla em inglês DBA, sempre teve prestígio por gerenciar o que há de mais importante em uma empresa: suas informações. Nesta área, o mercado é disputado entre Oracle e Microsoft (e seu onipresente SQL Server), com o MySQL, de código aberto, correndo por fora.
Os valores refletem um mercado de salários semelhantes, onde a certificação não faz tanta diferença. Um administrador de banco de dados sem especificação de tecnologia ganha entre R$ 6 mil e 7 mil, enquanto um DBA Oracle ganha de R$ 5 mil a R$ 8 mil, com valores semelhantes no Sul e Sudeste. Não muito diferente do especialista em SQL Server, que vale entre R$ 5 mil e R$ 7.500 nas duas regiões. Um pouco abaixo, o DBA MySQL, cargo que nem todas as consultorias apresentaram, tem remuneração entre R$ 4 e 5 mil.
Auditoria
Confirmando a tendência definida pela matéria Auditores de TI buscam seu espaço, esta não é função para iniciantes. Exige ampla vivência de mercado e habilidades tanto da área de exatas quanto de humanas. Por isso, características como organização, atenção aos detalhes e desenvoltura no trato interpessoal são fundamentais.
A remuneração varia entre R$ 5 e 7 mil, sem diferença entre regiões. Por enquanto ainda não se exige a certificação e não há registros que ela influencie no salário, mas pode ser um diferencial. Portanto, fique de olho nas certificações CISA e CFE.
Visão do mercado
De forma geral, o mercado de TI está aquecido, especialmente para quem já está empregado. Para os que estão começando, exige-se formação em faculdades de primeira linha e boa vivência em estágio.
Os dados coletados, tendo em vista profissionais de nível sênior e sob regime CLT, revelam que salários maiores são pagos no Sudeste, especialmente em São Paulo. Um dos motivos para os valores mais baixos no Sul seria o excesso de profissionais no mercado, segundo o Gerente da Tcom Consultoria, Daniel Teixeira.
Outra conclusão obtida a partir dos dados é que ter uma certificação altera mesmo a faixa salarial, especialmente para as áreas técnicas. Além disso, cada vez mais o mercado exige habilidades no âmbito comportamental como liderança, capacidade de trabalhar em equipe e pró-atividade.
Por ser uma área na qual novos processos e tecnologias surgem o tempo todo, exige-se aperfeiçoamento constante. Para quem trabalha com TI, a expressão “investir na carreira” tem sentido literal, segundo o Diretor-Geral da Manpower, Augusto Costa.
“O profissional tem que aprender sempre, pesquisar sempre e fazer cursos técnicos que não são baratos. Como TI é extremamente dinâmica, sai na frente quem faz treinamento em área específica, isso aumenta muito a empregabilidade - analisa.
Por outro lado, algumas empresas “param no tempo”, prendendo-se a tecnologias ultrapassadas e desmotivando o profissional. Por essas duas razões, o chamado “turnover”, ou seja, a troca de cargos tem índice alto em Tecnologia da Informação.
Na busca por novas oportunidades e desafios, há ainda a possibilidade de sair da cidade ou estado, indo para cidades como Hortolândia e Campinas (SP), onde há grande oferta de vagas. Contudo, de acordo com a Consultora da Case Consulting, Aline Santos Bicalho, poucas empresas oferecem pacotes de mudança, o que leva o profissional a ter que aceitar sozinho o desafio de morar em outro lugar.










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